
(Imagem: TV Globo / Divulgação)
Num primeiro momento, a despeito da opinião pública sobre alguns assuntos dos mais badalados na internet, as pessoas estão aparentemente mais críticas e ligeiramente mais inteligentes. Uma ilustração é o crescimento surpreendente dos questionadores e questionamentos à Globo e seu atual carro-chefe, o Big Brother Brasil. E isso é bom.
Entretanto, prestando o mínimo de atenção ao conteúdo dessas críticas, é notória a pobreza de argumentos que possuem. O Big Brother Brasil é apedrejado pela grande massa que simplesmente despreza os verdadeiros motivos pelos quais deve ser criticado. Não fala, por exemplo, no fato de que, em contraponto ao merchan da Endemol, o povo não é representado entre os participantes, tampouco discorre sobre o excesso de bebidas (propositalmente disponibilizadas à torto e à direita) que terminam por forjar indivíduos expostos ao ridículo das ações sob o efeito da embriagues. Ao contrário, baseia-se em afirmações que se subtraem à ínfima potência do insulto. Sobra até para o Pedro Bial. Criticar por criticar, tão somente.
Terá a crítica tornado-se tão vã quanto tudo que é feito sem critério? Aos pseudo-críticos, desejo que sejam mais coerentes. Será que esses novos e inéditos “socialmente questionadores” conseguem perceber que o programa que chamam BBB talvez fosse um fenômeno realmente merecedor de sucesso caso mostrasse pessoas representantes do povo, de fato? Pessoas que enfrentam ônibus lotados, que sobem e descem as ladeiras das favelas, que varrem o chão das cidades? Nesse caso, perceberiam que seria possível analisar, de alguma forma, o verdadeiro comportamento de um brasileiro em situação semelhante? Não seria, talvez, um proveitoso observatório sociológico? Mas a verdade é que está na boca do povo a crítica sem base, copiada de terceiros: do nome ao apresentador, tudo é abominável.
Luís Fernando Veríssimo escreveu muito bem sobre o Big Brother Brasil. Criticou criticando, de fato. Outros também o fizeram com propriedade. Argumentos baseados na natureza exploratória dos homens que pensam o programa, na essência promíscua e degradante de seus participantes de pouco cérebro, no desserviço prestado pelo todo da obra. E críticos como Veríssimo, verdade seja dita, correm o risco de serem desacreditados em suas ponderações a respeito do assunto por culpa dos que, envaidecidos, criticam ferrenhamente pela tarde e, à noite, vão somar pontos à audiência global. Não se enganem: criticar por moda não faz de ninguém menos alienado do que realmente é.
Sempre esperando que gostem,
Emanoel Ferreira




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